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Wagner Moura: “600 mil mortes por Covid que é terrorismo”

Por AdrianoSantos
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No Roda Viva, o diretor do filme Marighella comentou sobre cenas do filme e criticou o governo de Jair Bolsonaro

O ator e diretor Wagner Moura participou do Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (1º) para comentar sobre a estreia do filme Marighella, dirigido por ele, no Brasil. O diretor criticou a classificação de “terroristas” atribuídas a movimentos sociais e criticou o governo de Jair Bolsonaro, acusado de crimes contra a humanidade por sua gestão diante da pandemia de Covid-19.

“Todas as pré-estreias tem sido bonitas e emocionantes. Esse sentimento, que eu tenho, de que é um filme feito para o Brasil e de que não é somente um feito para os que resistiram à ditadura militar dos anos 60-70, mas também é sobre os que resistem hoje, fica muito forte nas pré-estreias. Os movimento sociais vão em peso nas pré-estreias: Coalizão Negra Por Direitos, MST, MTST, Levante da Juventude”, declarou.

Na pré-estreia de São Paulo, Wagner Moura chegou a puxar gritos de “Fora Bolsonaro“. “Para um filme tão atacado, chegar na pré-estreia e receber amor é muito bom”, completou.

Ao comentar sobre uma das cenas do filme, o diretor disse que fez uma provocação sobre o uso das acusações de terrorismo contra movimentos sociais e criticou o governo Bolsonaro.

“Isso é uma provocação. Geralmente, os acusados de terroristas sao os pobres, o MST, o Black Lives Matter… Isso sempre me incomodou muito… 600 mil mortes por Covid que é terrorismo. 19 milhões de pessoas passando fome, é terrorismo. Amazônia pegando fogo, para mim, é terrorismo. Um ministro da Economia [Paulo Guedes] com contas offshore enquanto o povo paga um imposto alto, é terrorismo”, afirmou.

Além da apresentadora Vera Magalhaes, participaram da bancada do Roda Viva os jornalistas Chris Maksud, Flavia Guerra, Marcos Augusto Gonçalves, Marina Caruso e Roger Cipó.

Censura ao filme “Marighella”

Após mais de 2 anos de espera, “Marighella, estrelado por Seu Jorge, finalmente será exibido no Brasil. A estreia nacional está marcada para 4 de novembro.

Moura diz não ter a menor dúvida de que o filme foi censurado em 2019, principalmente porque, naquela época, Bolsonaro falava publicamente sobre filtragem na Ancine, que filmes como “Bruna Surfistinha” eram inadmissíveis e que não daria dinheiro para financiar produções LGBT.

“Eu tenho uma visão muito clara sobre isso e não tenho a menor dúvida de que o filme foi censurado. As negativas da Ancine para o lançamento e, depois, o arquivamento dos nossos pedidos não têm explicação”, diz. “Foi bem nessa época que os nossos pedidos de lançamento foram negados e, logo na sequência, os próprios filhos do Bolsonaro foram às redes sociais comemorar a negativa da Ancine”, continua o ator.

Para ele, é triste que um filme feito em 2017 ainda não tenha estreado. Porém, avalia que hoje em dia já está muito mais claro para os brasileiros a tragédia que é o governo Bolsonaro. “Talvez, hoje, haja uma maior compreensão de que isso é um produto cultural brasileiro, que o fato de ser proibido, censurado, atacado pelo governo é um absurdo”.

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