Sem máscara, Bolsonaro deixa hospital: “só Deus me tira daquela cadeira”

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Sem máscara, Bolsonaro deixa hospital: “só Deus me tira daquela cadeira”

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deixou o Hospital Vila Nova Star, na zonal sul de São Paulo, na manhã de hoje, após receber alta médica. Ele estava internado no local desde quarta-feira (14) para tratar uma obstrução intestinal.

Depois de deixar o hospital acompanhado por Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, e José Olímpio (DEM-SP), Bolsonaro seguiu para o aeroporto de Congonhas, onde embarcou para Brasília. Ao desembarcar na Base Aérea, o presidente deve ir para o Palácio do Alvorada. Até o momento, não há compromissos em sua agenda para hoje e amanhã.

Bolsonaro deixou a unidade por volta das 9h50 e parou para conversar com jornalistas. Diante dos microfones, ele retirou a máscara e voltou a afirmar que só Deus o tira da presidência, criticou a CPI da Covid, falou em tratamentos alternativos e sobre o voto impresso auditável.

CPI da Covid

Bolsonaro criticou a CPI da Covid e negou a existência de um gabinete paralelo de aconselhamento sobre temas relacionados à pandemia. De acordo com o presidente, a investigação tem como objetivo prejudicar seu governo e faz parte de uma narrativa de oposicionistas para manchar sua imagem.

Querem derrubar o governo? Já disse, só Deus me tira daquela cadeira. Será que não entenderam que só deus me tira daquela cadeira?
Jair Bolsonaro, em declaração a jornalistas ao deixar hospital em São Paulo

O presidente comparou a CPI da Covid com uma investigação em curso no Senado americano que busca esclarecer a origem do coronavírus.

“A CPI daqui fica o tempo todo me acusando de corrupto. Eu não comprei, eu não paguei. E quem paga é alguém lá do ministério, é todo dia uma narrativa, é a CPI da cloroquina, é gabinete paralelo. Como se eu não tivesse autoridade para mudar alguém de ministério”, afirmou.

Droga não aprovada contra covid-19

Bolsonaro voltou a defender tratamentos com medicações sem eficácia comprovada para a covid-19, após uma comissão do Ministério da Saúde contraindicar cloroquina e hidroxicloroquina contra a doença.

O presidente pediu por estudos no Brasil da proxalutamida —medicamento usado no tratamento de cânceres, como o de próstata e câncer de mama—, que ele diz estar acompanhando estudos internacionais há algum tempo.

“O que me surpreende é de ver o mundo, alguns países investindo em remédio para curar a covid, e aqui, quando você fala de cura para covid, parece que você é criminoso. Não pode falar em cloroquina, ivermectina”, afirmou.

Atualmente, a proxalutamida está sob investigação e não é comercializada. Seu uso para covid-19 não foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), FDA (órgão regulador dos EUA) ou qualquer outra agência regulatória equivalente.

Bolsonaro disse que durante sua internação teve acesso a estudos —sem citar quais— do CDC (Centro de Controle de Doenças) dos Estados Unidos que apontam que as principais vítimas da covid-19 são pessoas obesas, seguidas de quem está tomada pelo pavor ou pânico, reforçando o discurso que adota desde o ano passado contra o isolamento social.

Voto auditável

O presidente voltou a criticar o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a defender a adoção do voto auditável impresso no país. A proposta está em tramitação na Câmara dos Deputados.

Sem apresentar provas, Bolsonaro falou novamente sobre fraude nas urnas eletrônicas e colocou em dúvida o sistema eleitoral brasileiro.

“Eu não entendo, por exemplo, por que não querem voto auditável. Não entendo por quê. Será que esse voto eletrônico, que é usado no mundo todo, é tão confiável assim? Por que essa briga? Nós queremos transparência nas eleições. Não existe eleições sem transparência, isso é fraude. Não queremos isso”, declarou.

Desde que as urnas eletrônicas foram implementadas —parcialmente em 1996 e 1998, e integralmente a partir de 2000— nunca houve comprovação de fraude nas eleições brasileiras, mesmo quando os resultados foram contestados. A segurança da votação é constatada pelo TSE, pelo MPE (Ministério Público Eleitoral) e por estudos independentes.

Facada em 2018

Bolsonaro também repetiu que o problema que o levou à internação foi uma consequência da facada que levou durante a campanha eleitoral de 2018. O presidente já havia feito essa associação ao menos duas vezes durante sua internação.

“A causa disso [dores no estômago] era uma obstrução intestinal, porque a aderência é comum para quem já sofreu cirurgias como eu sofri vivendo aquela facada do ex-psolista Adélio lá em Juiz de Fora”, afirmou.

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