Pesquisa revela década perdida para a construção civil do RN

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Pesquisa revela década perdida para a construção civil do RN

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O tamanho da crise da construção civil no Rio Grande do Norte nos anos anteriores à pandemia, entre 2010 a 2019, é o que revela a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), do IBGE, divulgada nesta sexta-feira, 18. Segundo o estudo, o número de pessoas ocupadas nesse período no Estado caiu 33%, saindo de 36.518 trabalhadores para 24.306 entre as empresas com pelo menos cinco pessoas empregadas.
Como a pesquisa retrata sempre a situação do setor de dois anos antes – portanto antes da pandemia -, a expectativa agora é saber quais serão os resultados de maio a junho de 2022 quando será divulgada a próxima pesquisa do IBGE.

Ao analisar esses números para o Jornal Agora RN, o diretor de Mercado do Sindicato da Construção no RN (Sinduscon), Francisco Ramos de Vasconcelos Júnior, explicou que boa parte do fechamento desses postos de trabalho entre 2010 a 2019 começou prá valer em 2014, quando a crise econômica bateu na porta da classe média.

Quanto ao futuro próximo, ano que vem, ele espera que alguma recuperação do setor comece a ser experimentada já a partir do segundo semestre deste ano, com uma menos discreta reação do mercado de compra e venda do mercado.

Mas o futuro a Deus pertence. O passado retratado na pesquisa IBGE mostra com sólidas razões porque hoje, segundo o próprio Francisco Ramos, é impraticável para os empresários construir imóveis novos com um deságio de 25% no valor de mercado.

Essa é a razão pela qual o setor imobiliário de Natal, que vendia até 10 anos atrás 70% de lançamentos contra 30% de usados, conhecido tecnicamente como “diverso”, ter invertido essa situação, passando a comercializar apenas 30% dos lançamentos.

Mesmo assim, Ramos é otimista, apesar do longo caminho de recuperação a ser trilhado. Ele lembra que hoje da compra do terreno, da fase de planejamento e obtenção de licenças, o tempo médio de maturação de um lançamento é de um ano e dois meses.

Já foi bem pior antigamente e só fazia sentido empreender porque o giro era grande. Nos últimos anos, o já acanhado estoque de imóveis de Natal passou por uma lipoaspiração, fazendo com que a falta de reposições minguasse as opções ao consumidor. “E não ter opções de escolha é fatal nesse negócio”, lembra o construtor.

Mesmo assim, segundo a Pesquisa Anual da Indústria da Construção, o valor das incorporações, obras ou serviços de construção no RN chegou a R$ 3,6 bilhões em 2019 no RN, correspondendo a 7,8% do valor das incorporações, o quarto maior do Nordeste.

Em 2010, a participação do estado era de 7,1%. De lá para cá, o crescimento foi quase vegetativo. Ao lado do Rio Grande do Norte, somente os estados da Bahia (saiu de 27,5% para 30,6%), Ceará (12,7% para 16%), Paraíba (4,4% para 6,3%) e Piauí (4,4% para 5,5%) ganharam em participação na comparação entre 2010 e 2019. Já o Maranhão (9,6% para 8,4%) e Pernambuco (25,1% para 16,8%) perderam participação no valor de obras do Nordeste no período analisado, mesmo assim permanecendo à frente do Rio Grande do Norte. Alagoas (5% para 4,9%) e Sergipe (4,2% para 3,7%) também perderam participação.

Sofreram os empresários, mas e principalmente os trabalhadores, já que na composição do valor de obras e de pessoal ocupado na indústria da construção do Brasil, o RN corresponde a 1,4%, a 16º posição no ranking nacional, colocando o estado em sétimo no crescimento no número de empresas atuantes no setor. Em 2019, o RN tinha 794 empresas na área da construção civil com pelo menos cinco pessoas ocupadas contra 767 empresas em 2010, um crescimento de apenas 4%. No Nordeste, Ceará (69%), Piauí (48%), Paraíba (38%), Bahia (30%), Pernambuco (28%), Maranhão (6%) o número proporcional de empresas cresceu mais que no RN. Já no Maranhão (- 53%), Pernambuco (- 51%), Sergipe (- 43%) e Alagoas (- 40%) tiveram uma queda mais acentuada do que a do estado potiguar na mão de obra.

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