O que se sabe sobre o incêndio de grandes proporções que atinge acervo da Cinemateca em SP

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O que se sabe sobre o incêndio de grandes proporções que atinge acervo da Cinemateca em SP

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O major do Corpo de Bombeiros Marcos Palumbo afirmou que o fogo começou no teto do galpão, segundo as pessoas que acionaram a emrgência. O major disse ainda que os trabalhos estão concentrados no andar superior do acervo principal, de cerca de 400 m².

Segundo o Corpo de Bombeiros, a área tem cerca de 8.400 m², sendo 6.356 m² de área construída. Setenta bombeiros faziam o combate às chamas às 21h20. Não há feridos.

O porta-voz dos bombeiros disse que no local há uma grande concentração de filmes em rolo, rico em nitrato, que possui alta capacidade de propagar as chamas rapidamente.

“Esse nitrato de celulose possivelmente pode ter sido a causa do incêndio. O Corpo de incêndio já controlou, então agora ele não se propaga para outras edificações”, disse Palumbo à imprensa.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, o local tem o maior acervo cinematográfico da América do Sul, com cerca de 250 mil rolos de filmes.

A Cinemateca possui mais de 1 milhão de documentos audiovisuais, como roteiros, recortes de jornais, livros e revistas.

Crise e enchente

Em reunião no dia 16 de julho de 2021, vereadores da Comissão de Educação, Cultura e Esportes analisaram um projeto de lei que cria a Frente Parlamentar em Defesa da Cinemateca Brasileira.

Eles adiaram a votação para a semana seguinte, mas concordaram em visitar o local para avaliar como estava o edifício.

Em junho de 2020, os vereadores da mesma comissão também discutiram a crise financeira da Cinemateca e problemas para bancar a manutenção do espaço.

Foram danificados, por exemplo, 382 cópias de São Paulo, S/A (1965), de Luis Sérgio Person, 270 cópias de Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, 198 DVDs contendo O Homem do Sputnik (1959) e 250 cópias de Assim era a Atlântida (1975), ambos de Carlos Manga.

O governador de São Paulo, João Doria, afirmou no perfil dele no Twitter que “O incêndio na Cinemateca de São Paulo é um crime com a cultura do país. Desprezo pela arte e pela memória do Brasil dá nisso: a morte gradual da cultura nacional.”

Também foram danificadas 396 cópias de Os Óculos do Vovô, um filme mudo e o mais antigo de ficção brasileiro ainda preservado, de 1913.

A coleção que ficou alagada foi criada entre 2007 e 2013 para difundir o cinema brasileiro em pontos de exibição fora do circuito comercial, como escolas e cineclubes.

Na época, em 2007, custou R$ 1,2 milhão para ser implantada, com orçamento de R$ 1,5 milhão no ano seguinte.

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