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Na COP-26, Fátima Bezerra expõe pobreza e violência no Brasil e valoriza geração de energia no RN

Por AdrianoSantos
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A governadora do Rio Grande do Norte participou de forma online da 26ª Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), fez duras críticas ao cenário ambiental, econômico e social do Brasil durante a 26ª Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-26), que está sendo realizada em Glasgow, na Escócia. A petista falou sobre desmatamento da Amazônia, cortes no orçamento para o meio ambiente, mortes de indígenas, violência, racismo e fome.

“Não posso deixar de mencionar que no Brasil o cenário que temos hoje é de retrocesso. Em menos de três anos os índices ambientais de clima pioraram. As emissões de gases do efeito estufa, o desmatamento da Amazônia e os incêndios aumentaram. Os danos socioambientais, ainda que generalizados, impactam de forma diferente as pessoas negras, indígenas e outras parcelas da população já vulnerabilizadas por questões socioeconômicas, raciais e de gênero”, discursou.

As declarações da gestora estadual integraram o painel “O Nordeste Brasileiro e o potencial da Transição Energética Justa no Brasil – Mulheres na vanguarda da transição energética “, no Brazil Action Hub, nesta quinta-feira (4). “O fato é que o Brasil tem retrocedido na agenda de implementação dos ODS. Esse retrocesso se dá em todas as áreas: social, econômica e ambiental. E um dos maiores desafios com o qual lidamos hoje é o aumento da pobreza”, disparou Fátima.

De acordo com a governadora, o cruzamento entre injustiça racial e ambiental marca a vida da população negra e indígena que já lidera os índices de pobreza, desemprego e violência no país. Por tal razão, segundo ela, é necessário toda política considere os impactos do racismo estrutural, ou então ela será falha ou insuficiente. “Uma mostra disso é que, embora no Brasil tenhamos uma das matrizes mais baratas para produzir energia, estamos vivenciando grandes aumentos nas contas de luz, fazendo com que o povo brasileiro pague uma das tarifas mais caras do mundo”, explicou a petista.

A pauta do gás de cozinha também esteve presente no discurso da petista. Conforme avaliação dela, o povo brasileiro, em especial as mulheres, “não consegue comprar um botijão de gás”.  Para Fátima, a política de preços adotada pela Petrobras faz com que o valor do botijão de gás seja equivalente a 12% do salário mínimo, e, por isso, “as famílias pobres no Brasil voltaram a usar lenha ou carvão para cozinhar”.

“Para dar uma dimensão de justiça social à mudança climática, temos de nos perguntar: é justo seguir emitindo gases do efeito estufa e utilizando a energia limitada do planeta para que umas poucas famílias continuem enriquecendo enquanto a grande maioria das pessoas está na miséria? A verdade é que estamos atravessando um período de crescimento das desigualdades no Brasil. As medidas econômicas, sociais e ambientais em curso no país têm intensificado a pobreza estrutural e a miséria”, refletiu Fátima.

Ela foi convidada para participar presencialmente do evento, com todas as despesas custeadas. Contudo, a governadora foi acometida por uma virose que a impediu de atravessar o oceano e viajar para o exterior – justificativa a qual foi apresentada por Fátima. A gestora aproveitou a ocasião para enfatizar a agenda econômica sustentável do Governo do Estado, listando diversos resultados que colocam o estado potiguar em posição de destaque.

“O Rio Grande do Norte está na vanguarda na utilização de fontes de energia renovável no país. Atualmente a matriz elétrica em nosso estado é composta por 87% de fontes limpas e renováveis. Das 7 fontes de geração de energia comercializadas no Brasil, o Rio Grande do Norte possui 5, com destaque para a energia eólica, solar, biomassa, hídrica e gás natural”, falou Fátima.

Segundo a petista, o RN é líder do país em geração de energia eólica onshore com 5.9 GW em potência instalada.  Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) demonstram que o RN possui 197 parques em operação com mais de 2.343 turbinas eólicas em funcionamento. Além disso, estão em fase de construção 45 novos parques com potência total de 1.6 GW.

“O Rio Grande do Norte está sim na vanguarda para uma transição energética justa, para uma economia de baixo carbono, que respeite o meio ambiente, inclua as pessoas, e que seja sustentada pela criação de trabalho adequado, com mais e melhores empregos”, concluiu a governadora, que foi interrompida pela mediadora do painel, que falou que o tempo de fala tinha sido esgotado.

Logo em seguida, a prefeita do município potiguar de Jandaíra, Marina Dias Marinho (MDB), teve o momento de fala. Ela comentou sobre o protagonismo do RN na produção de energia eólica, repercutiu sobre como a produção sustentável ajuda na arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) e lembrou da declaração da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que defendeu a tese de “estocar vento” – algo que já existe e é comprovado.

Marina Marinho, entretanto, apresentou os ônus dessa atividade, como o desmatamento de parte da vegetação e o risco de extensão de alguns animais. Além disso, há os chamados “filhos do vento”, que são filhos de mulheres locais, que se relacionaram com homens de outros estados que vieram para trabalhar em obras relacionadas a energia renovável.

Durante toda a conversa foi enfatizado que Fátima é a única governadora de Estado no Brasil. A ideia de convidá-la, segundo os presentes, é mostrar que as mulheres podem e devem ocupar espaços de poder, como a gestão política. A prefeita Marina Marinho reforçou esse pensamento, e foi contemplada com ele.

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