Mais de 80 pacientes de Covid-19 morrem em incêndio em hospital

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Mais de 80 pacientes de Covid-19 morrem em incêndio em hospital

Tanques de oxigênio explodiram e causaram incêndio no hospital de Bagdá - Foto

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Muitas vítimas estavam sob ventilação mecânica quando os cilindros de oxigênio explodiram, causando um incêndio que se espalhou rapidamente, de acordo com médicos e bombeiros

Ao menos 82 pessoas morreram e 110 ficaram feridas na madrugada de ontem devido a um incêndio em um hospital para pacientes com Covid-19 em Bagdá. A tragédia provocou revolta na população de um país com um sistema de saúde devastado após décadas de instabilidade.

O incidente foi causado por cilindros de oxigênio “armazenados sem respeitar as condições de segurança” no hospital Ibn al-Khatib, em Bagdá. Muitas vítimas estavam respirando com a ajuda de aparelhos quando os cilindros de oxigênio explodiram.

A tragédia gerou uma onda de raiva entre os iraquianos, depois que fontes médicas atribuíram o incêndio à negligência, muitas vezes ligada à corrupção endêmica que assola o país. “Renúncia do ministro da Saúde” era o assunto mais comentado no Twitter no Iraque.

O país de 40 milhões de habitantes tem hoje um sistema de saúde precário, que nunca se recuperou de décadas de conflito. Logo após a Guerra Irã-Iraque (1980-1988), ocorreu a Guerra do Golfo, em 1991, e as sanções internacionais impostas ao país.

Em 2003, veio a invasão americana, que só terminaria oito anos depois. Mais recentemente, o combate ao Estado Islâmico também teve seu impacto.

O primeiro-ministro do país, Mustafa al-Kadhimi, anunciou três dias de luto nacional e a abertura de “uma investigação imediata”, afirmando que resultados preliminares deverão ser apresentados dentro de 24 horas.

Ele também suspendeu o ministro da Saúde, Hassan al-Tamimi, o chefe da Saúde do leste de Bagdá, o diretor do hospital e os chefes de segurança e manutenção técnica. Al-Kadhimi também anunciou uma indenização de US$ 6,9 mil (R$ 37,8 mil) às famílias de cada vítima.

No meio da noite, quando havia “30 pacientes em uma unidade de terapia intensiva” reservada para os casos mais graves da Covid em Bagdá, as chamas se espalharam pelos andares, informou uma fonte médica à AFP.

Segundo a Defesa Civil, as chamas levaram apenas três minutos para chegar à maioria dos andares. O hospital não tinha sistema de proteção contra incêndios e os tetos falsos permitiram que o fogo se propagasse para produtos altamente inflamáveis:

“A maioria das vítimas morreu porque foram deslocadas e privadas de respiradores. Outras foram sufocadas pela fumaça”, disse o órgão.

Vídeos postados nas redes sociais mostravam bombeiros tentando apagar as chamas enquanto os doentes e suas famílias tentam deixar o prédio. Amir, de 35 anos, contou à AFP que salvou por pouco “seus irmãos que estavam internados”.

À Reuters, Ahmed Zaki disse que conseguiu salvar seu irmão e, em seguida, voltou para ajudar outros pacientes:

— Encontrei uma menina sufocando, tinha cerca de 19 anos. Ela estava prestes a morrer — disse Zaki. — Peguei ela nos ombros e desci correndo. Muitas pessoas estavam se jogando, médicos caíram em carros.

A missão da ONU no Iraque expressou “sua dor” e se declarou “chocada” com a tragédia. Já a Comissão de Direitos Humanos do próprio governo classificou o incidente como um “crime”:

“Contra pacientes exaustos pela Covid-19 que colocaram suas vidas nas mãos do Ministério da Saúde e que, em vez de serem curados, morreram nas chamas.”

O Iraque, um país com escassez de medicamentos, médicos e hospitais, superou na quarta-feira 1 milhão de casos da Covid-19. Segundo o Ministério da Saúde, 1.025.288 iraquianos foram infectados desde o início da pandemia, dos quais 15.217 morreram.

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