Levantamento diz que mais de 200 doses vencidas da AstraZeneca foram aplicadas no RN; cidades negam

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Levantamento diz que mais de 200 doses vencidas da AstraZeneca foram aplicadas no RN; cidades negam

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Um levantamento, baseado no cruzamento de dados oficiais do governo federal, indicou que 233 doses da vacina AstraZeneca contra a Covid-19 podem ter sido aplicadas vencidas no Rio Grande do Norte. O trabalho é dos pesquisadores Sabine Righetti, da Unicamp, e Estêvão Gamba, da Unifesp, e foi publicado nesta sexta-feira (2) pelo jornal “Folha de S. Paulo”.

Os dados, aos quais o G1 também teve acesso, indicam que o problema ocorreu com doses de oito lotes da vacina (veja tabela abaixo).

Ao todo, o levantamento aponta um total de 233 doses vencidas que foram aplicadas em 38 cidades do Rio Grande do Norte, sendo a maioria em João Câmara (55) e Augusto Severo (42). Aparecem na lista também municípios como Mossoró (15), Baía Formosa (15), Janduís (12) e a capital Natal (12). (Veja a lista completa mais abaixo).

Em todo o país, de acordo com o levantamento, foram aplicadas 25.935 doses fora do prazo em pelo menos 1.532 cidades. Maringá (PR) aparece como a cidade com mais doses vencidas: 3.536.

Lotes de vacinas aplicadas após o vencimento

LoteValidadeDistribuiçãoDoses distribuídasAplicadas após validade
4120Z00129/03/202124/02/2021499.4802.911
4120Z00413/04/202122/01/2021179.880874
4120Z00514/04/202122/01/20211.819.87017.674
CTMAV50130/04/202124/03/2021100.7801.814
CTMAV50531/05/202124/03/2021316.8001.090
CTMAV50631/05/202124/03/2021350.380942
CTMAV52031/05/202124/03/2021254.16084
4120Z02504/06/202124/02/2021351.190546

Cidades negam

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal disse que a capital não aplicou nenhuma dose vencida da vacina contra Covid-19.

“A SMS Natal contatou as 13 pessoas que supostamente teriam tomado a vacina vencida e identificou que houve uma falha da equipe de digitação na inserção no sistema quanto ao lote administrado. A correção ainda não foi realizada no sistema porque Gestão Municipal não tem acesso para correção. Porém, já foi emitido um e-mail para o RN Mais vacinas solicitando a correção”.

A Prefeitura de João Câmara, cidade com mais doses vencidas no levantamento, disse que houve um erro no cadastramento dos lotes. “Infelizmente o que houve foi um erro ao registrar o lote da vacina aplicada no sistema RN+ Vacina onde foi informado o lote 4120Z001 com vencimento em 29 de março de 2021 ao invés dos lotes 2140Z005 com vencimento 14/04/2021 e CTMAV505 com vencimento em 31/05/2021”.

O município informou ainda que, após a verificação, foi elaborada uma planilha contendo dados dos usuários que foi encaminhada à coordenação do RN+ Vacina para a correção do problema.

A Secretaria Municipal de Saúde de Mossoró também emitiu nota e disse que não houve aplicação de doses fora do período de validade contido em bula, “uma vez que, todas as remessas de imunizantes que chegam ao município de Mossoró são utilizadas de forma imediata, após verificação local que sucede a conferência feita pela própria Secretaria de Estado da Saúde Pública (SESAP-RN)”.

“Salienta-se que a pasta estadual garante que todas as doses são conferidas e protocoladas. Nós, enquanto município, fazemos o mesmo, atendendo as normas de biossegurança, antes do uso de qualquer imunizante contra a Covid-19”.

A pasta diz que acredita que “pode ter ocorrido o registro tardio das doses aplicadas na Plataforma RN Mais Vacina, bem como, reforçamos o correto armazenamento das vacinas, o acompanhamento das suas validades e a rápida aplicação dos imunizantes”.

O município de São Gonçalo do Amarante informou que as duas doses atribuídas à cidade não estavam vencidas e foram aplicadas dentro da validade. “O lote em questão é o 4120z001 e tinha validade até 29 de março de 2021. Chegou ao município no dia 25 de fevereiro e foi administrada no dia 10 de março, ou seja, dentro do período de validade. A Secretaria Municipal de Saúde já entrou em contato com os usuários e confirmou as datas”, disse em nota.

“A inconsistência apresentada é um erro de digitação na data da aplicação. Ao invés de ser registrada no ‘RN Mais Vacina’ com data de 10 de março, dia exato da aplicação da D1, foi registrada com a da segunda dose (D2), dia 15 de abril, o que foi comprovado com o cartão de vacina do usuário”.

A prefeitura de Parnamirim disse que as doses foram distribuídas dentro do prazo de validade, sendo conferidas antes da efetiva distribuição. A prefeitura disse que “tão logo as vacinas chegam ao município, essas doses são imediatamente repassadas para todas os pontos de vacinação, não havendo possibilidade de estocagem ou armazenamento por longo período”.

“Um apontamento possível é que possa ter ocorrido o tardio registro na plataforma, que faz com que a data da aplicação do imunizante seja diferente da data que realmente foi aplicado”.

Municípios do RN citados no levantamento com doses vencidas da AstraZeneca

CidadeDoses aplicadas
João Câmara55
Augusto Severo (Campo Grande)42
Baía Formosa15
Mossoró15
Janduís12
Natal12
Jardim de Piranhas11
Macaiba8
Alexandria6
Parnamirim5
Pedro Avelino5
Currais Novos4
Assu3
Nova Cruz3
São Pedro3
Venha-Ver3
Canguaretama2
Ceará-Mirim2
Itajá2
Martins2
São Gonçalo do Amarante2
São Paulo do Potengi2
Touros2
Umarizal2
Upanema2
Almino Afonso1
Apodi1
Baraúna1
Bento Fernandes1
Caicó1
Goianinha1
Ielmo Marinho1
Montanhas1
Monte Alegre1
Nísia Floresta1
Olho D’Água do Borges1
São Francisco do Oeste1
São José do Campestre1

Estado acredita em registro tardio em sistema

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) também emitiu nota e explicou que disse que “todas as doses dos imunizantes recebidos do Ministério da Saúde, incluindo os lotes da Astrazeneca apontados com aplicação vencida, foram distribuídas e entregues em tempo oportuno às regionais de saúde e para os municípios dentro do prazo de validade”.

Segundo a pasta, todas as doses são conferidas e protocoladas antes da efetivação da distribuição, passando por um processo de conferência a cada remessa executada pela Rede de Frio do Estado.

“A equipe de imunização da Sesap aponta que possa ter ocorrido o tardio registro na plataforma, que faz com que a data da aplicação do imunizante seja diferente da data que realmente foi aplicado. É importante ressaltar que, como orienta o Ministério da Saúde, cabe aos gestores locais do SUS o armazenamento correto, acompanhamento da validade dos frascos e aplicação das doses, seguindo à risca as orientações do Ministério”.

A Sesap disse ainda que trabalha em diálogo com os municípios no momento para conferir todas as doses que estão apontadas como vencidas “para alinhar e orientar as melhores medidas que serão estabelecidas a partir do resultado desta análise”.

Dose vencida não é considerada válida para imunização

O Ministério da Saúde diz que “caso alguma vacina seja administrada após o vencimento, essa dose não deverá ser considerada válida, sendo recomendado um novo ciclo vacinal, respeitando um intervalo de 28 dias entre as doses”. Além disso, ainda segundo a pasta, “o vacinado deverá ser acompanhado pela Secretaria de Saúde local”.

O lote da vacina é uma informação que deve constar no comprovante de aplicação.

De acordo com Sabine Righetti, uma das autoras do levantamento, as informações são do DataSUs e da Sala de Apoio à Gestão Estratégica (SAGE). A equipe analisou a data de vencimento dos lotes de vacina que ainda estavam sendo ministrados no Brasil.

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