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Endividamento das famílias cresce pelo 12º mês seguido

Por AdrianoSantos
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A proporção de brasileiros com dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa) alcançou 75,6% em novembro, alta de 1,0 ponto porcentual (p.p.) em relação a outubro e de 9,6 p.p. ante novembro do ano passado, segundo os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta segunda-feira (29), pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

Foi o 12º mês seguido de alta, renovando o nível recorde, mas, em novembro, houve o primeiro aumento da inadimplência em oito meses, com destaque para os consumidores de baixa renda.  O endividamento recorde, que alcançou cerca de 12 milhões 327 mil famílias, e os desafios econômicos impostos aos orçamentos domésticos colaboraram para que o indicador alcançasse o maior nível desde setembro do ano passado, 26,1%. O número representa uma elevação de 0,5 ponto percentual em relação a outubro e de 0,4 na comparação anual, sendo o maior nível para meses de novembro na série histórica da análise, iniciada em janeiro de 2010.

A parcela que declarou não ter condições de pagar suas dívidas ou contas em atraso e, portanto, “continuará inadimplente”, segundo a CNC, permaneceu estável, registrando 10,1%, queda de 1,4 p.p. na comparação com o mesmo mês de 2020.

Em nota, a CNC observou que, “mesmo com os juros maiores”, as concessões de crédito com recursos livres para pessoas físicas seguem aumentando – segundo os dados do Banco Central (Bacen), outubro registrou crescimento real de 3,3%. Para a entidade, a alta de juros empreendida pelo BC desde março, “na tentativa de ancorar melhor as expectativas inflacionárias futuras”, ainda “não foi suficiente para abrandar a dinâmica do endividamento”. “O crédito segue sendo a saída do brasileiro para recompor a renda”, diz a nota.

Tanto que o uso do crédito é mais relevante entre as famílias com rendimento de até dez salários mínimos. De outubro para novembro, o porcentual de endividados nessa faixa de renda saltou de 75,9% para 77,0%, ante 67,9% em novembro de 2020. “Para esse grupo em especial, a inflação corrente ao consumidor girando próxima a 11% ao ano acirra o orçamento familiar e aumenta a necessidade do crédito para organizar as despesas”, diz a nota da CNC.

Entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o endividamento foi de 70,3% em novembro, ante 69,5% em outubro e 59,3%, em novembro de 2020. “As famílias no grupo de renda mais elevado têm revertido suas poupanças, ampliadas durante a pandemia, para o consumo de serviços, auxiliando a retomada recente da atividade econômica no setor”, diz a CNC.

O indicador de inadimplência tem comportamento divergente conforme a faixa de renda. A proporção de famílias com contas ou dívidas em atraso na faixa de renda mais baixa aumentou de 28,9% em outubro para 29,4% em novembro – ante 28,9% em novembro do ano passado. No grupo com rendimento mais alto, a proporção de inadimplentes caiu de 11,6% para 11,4%, na passagem de outubro para novembro – ante 11,8% em novembro de 2020.

“Entre os endividados, o porcentual de famílias com dívidas por mais de um ano é crescente desde o fim do primeiro trimestre e atingiu a máxima histórica de 36,2%, indicando que os consumidores estão buscando alongar os prazos de pagamento de suas dívidas para que a parcela caiba nos orçamentos e, assim, reduza-se o comprometimento da renda”, diz a nota da CNC.

Crédito
Mesmo com os juros maiores, as concessões de crédito com recursos livres para pessoas físicas seguem aumentando. Segundo os dados do Banco Central (Bacen), outubro registrou crescimento real de 3,3% nas concessões de crédito às pessoas físicas, nas modalidades com recursos livres. No saldo das operações, o aumento real foi de 1% nas transações com recursos livres.

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