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A empresa Davati e seu CEO Herman Cardenas, que estão no centro do novo escândalo de corrupção do governo Bolsonaro, estão sendo investigados pelos governos do Canadá e dos EUA por terem oferecidos milhares de vacinas em nome da AstraZeneca.

O escândalo veio à tona quando o líder da Nação Cree James Smith (JSCN), Wally Burns, tornou público que estava negociando a compra de 6 milhões de doses da AstraZeneca, independente do governo do Canadá.

Mas, logo a notícia tornou-se pública, o governo do Canadá e a própria AstraZeneca foram à público lançar dúvidas sobre tal compra. A porta-voz da AstraZeneca, Mary-Anne Cedrone, afirmou que há pessoas e empresas oferecendo o imunizante em nome da farmacêutica, mas que eles só negociam diretamente com os governos.

Cedrone também informou que a empresa sueco-britânica e produtora da AstraZeneca emitiu um comunicado a todos os governos do mundo para não negociarem com terceiros, pois, não estão autorizados.Você pode gostar

Dessa maneira, o líder do povo originário, após as declarações da AstraZeneca, afirmou que estava tratando diretamente com a farmacêutica. A empresa negou.

O governo do Canadá disse que o tipo de compra que Burns disse que estava fazendo é permitido pelo governo federal do Canadá, que depois arcaria com as despesas, porém, a Ministra Federal de Serviço Público e Compras Anita Anand revelou que a AstraZeneca só negocia com governos e a farmacêutica afirmou que os seus estoques para 2021 estão esgotados.

Porém, uma investigação levou a uma oferta feita para a Federação das Nações Indígenas (FSIN) que foi feita pela empresa texana Davati Medical Supply, com a qual Burns afirmou ter mantido contato com um intermediário chamado Herman Cardenas.

Segundo Burns, nas tratativas com a Davati foi prometido para a suposta venda de seis milhões de doses da vacina AstraZeneca a um custo de US $ 3,50 por dose, ou US $ 21 milhões no total. De acordo com um relatório da CBC no início desta semana, o FSIN recentemente pediu à Indígena Services Canada por US $ 21 milhões para concluir a compra.

Procurado pela imprensa, Cardenas confirmou o contato com a federação indígena. “Esse (documento) veio da nossa empresa. Estamos discutindo com o grupo. Não estamos comprometidos com nenhum valor específico ou com o pedido ainda”, disse o CEO do Davati Group, Herman Cardenas.

Questionado como a Davati facilitaria a venda entre a AstraZeneca e grupo, Herman Cardenas se recusou a falar.

Algumas descobertas levantam ainda mais desconfianças sobre idoneidade da empresa texana Davati: Os registros fiscais e comerciais do Texas dizem que a Davati Medical Supply foi constituída em junho de 2020. Seu endereço está listado em um parque empresarial em Round Rock, uma cidade perto de Austin, e seu site a descreve como uma divisão do Grupo Davati, que aparentemente se especializou em melhoria imobiliária.

Após a AstraZeneca ter reafirmado que a empresa não tinha autorização para realizar negociações da vacina, Herman Cardenas permaneceu em silêncio e não mais falou com a imprensa canadense e estadunidense.

O Departamento Americano de Segurança interna afirmou que está investigando a empresa por fraude ativa envolvendo a venda de vacinas contra a Covid-19.

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