Deputado Luis Miranda fala em esquema “muito maior” do que caso Covaxin

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Deputado Luis Miranda fala em esquema “muito maior” do que caso Covaxin

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O deputado Luis Miranda (DEM-DF) afirmou neste domingo (27/6) que o esquema de corrupção do Ministério da Saúde pode ser “muito maior” do que o episódio envolvendo a negociação da vacina indiana Covaxin, que já é apurado pela CPI da Covid.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o parlamentar disse que seu irmão, Luis Ricardo Miranda, que coordena a área de importação de insumos no Ministério da Saúde, vê indícios de operação “100% fradulenta” na compra de testes para diagnóstico da Covid-19.

“Se existir algo realmente ilegal, não é só nessa vacina [Covaxin], é na pasta toda. O presidente [Jair Bolsonaro] demonstra claramente que não tem controle sobre essa pasta. Tem muita coisa que dá pra puxar e investigar, e descobrir algo em outra situação que vai ligar diretamente com a Covaxin. É o mesmo grupo [de pessoas dentro do ministério]”, disse o democrata.

“Pelo que vejo aqui, é procedimento totalmente usando a Opas [Organização Pan-Americana de Saúde] para fazer a jogada, com dinheiro do Banco Mundial. Querem fazer uma compra gigantesca, altamente desnecessária”, prosseguiu.

Luis Miranda e o irmão depuseram à CPI da Covid na última sexta-feira (25/6). Na ocasião, o deputado afirmou que o líder do Governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), foi mencionado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como possível envolvido em esquema, ao ouvir denúncia sobre os supostos problemas no contrato da vacina. Barros nega envolvimento.

Os irmãos se reuniram com Bolsonaro em 20 de março, no Palácio da Alvorada. Segundo o parlamentar, a conversa durou 50 minutos. O mandatário do país teria citado o nome do líder do governo já nos primeiros 10 minutos de diálogo.

“Esse pessoal, meu irmão, tá foda. Não consigo resolver esse negócio. Mais uma desse cara, não aguento mais”, teria dito Bolsonaro, segundo Luis Miranda.

Questionado sobre se o chefe do Executivo se surpreendeu ao receber a denúncia, o deputado afirmou que Bolsonaro não estava a par da situação. “É como se a pasta [Ministério da Saúde] tivesse um dono, e não o presidente da República. É como se aquele ambiente ali não pertencesse a ele. Ele não conhecia o caso”, declarou.

Segundo o parlamentar, o diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, indicado para a pasta pelo ex-deputado Abelardo Lupion e por Barros, é quem dá as cartas.

“Nada ali acontece se o Roberto não quiser. Tudo o que aconteceu, inclusive a pressão [para acelerar a compra da vacina] sobre o meu irmão, é sob a aprovação dele. Sem ele, ninguém faz nada. Isso é uma das únicas certezas que tenho”, afirmou Luis Miranda.

Entenda o caso

De acordo com documentos do Tribunal de Contas da União (TCU), o imunizante indiano foi o mais caro negociado pelo governo federal, custando R$ 80,70 a unidade. O valor é quatro vezes maior do que o da vacina da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a AstraZeneca, por exemplo.

A CPI da Covid investiga por que o governo agilizou os trâmites na compra da Covaxin. Segundo um levantamento do TCU, o Ministério da Saúde levou 97 dias para fechar o contrato do imunizante indiano, enquanto demorou 330 dias para ter um acordo com a Pfizer.

Além disso, o contrato entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos para aquisição da Covaxin foi o único acordo do governo que teve intermediário sem vínculo com a indústria de vacinas – o que foge do padrão das negociações e dos contratos de outros imunizantes.

O Ministério da Saúde firmou contrato de R$ 1,6 bilhão para a compra de 20 milhões de doses. O valor ainda não foi pago, mas está empenhado (reservado para desembolso), e as doses não foram importadas para o Brasil.

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