Precisa esperava receber R$ 800 mi com venda da Covaxin a clínicas privadas

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Precisa esperava receber R$ 800 mi com venda da Covaxin a clínicas privadas

A farmacêutica indiana Bharat Biotech estipulou a faixa de US$ 15 a US$ 20 por dose da vacina para exportações

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Sócio da empresa que está na mira da CPI queria vender 5 milhões de doses para clínicas particulares

A Precisa Medicamentos, empresa brasileira que intermediou a compra da Covaxin, esperava receber ao menos R$ 800 milhões com a venda do imunizante contra a covid-19 a clínicas particulares. A informação foi revelada nesta 3ª feira (29.jun.2021) pelo jornal O Estado de S. Paulo, que acessou o contrato firmado entre Frederico Maximiano, sócio da Precisa com a ABCVAC (Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas).

A expectativa era fornecer 5 milhões de doses para clínicas particulares venderem aos seus clientes, além de 20 milhões ao Ministério da Saúde.

O contrato, assinado em 29 de janeiro de 2021, estabelecia 5 faixas de preço dependendo da quantidade de doses. Em caso de compra acima de 100 mil doses, cada uma sairia por US$ 32,71 (R$ 160,93). Com as 5 milhões de doses, a Precisa receberia US$ 163,55 milhões (R$ 804,666).

No caso de compra de 2.000 a 7.200 doses, cada uma sairia por US$ 40,78, o dobro do preço máximo estabelecido pela fabricante do imunizante em caso de exportações. A farmacêutica indiana Bharat Biotech estipulou a faixa de US$ 15 a US$ 20 por dose nesses casos.

Eis imagens do documento:

Apesar de o contrato ter sido assinado em janeiro, a compra das vacinas foi impedida legalmente. A lei que permitiu a aquisição dos imunizantes contra a covid-19 pelo setor privado, aprovada pelo Congresso em maio, prevê repasse de todas as doses à rede pública e proíbe cobrança pela aplicação, inviabilizando a venda pelas clínicas privadas.

Informamos que esse documento perdeu seu objeto com a impossibilidade de entrega de vacinas no prazo acordado. Desde então a diretoria da ABCVAC não manteve mais nenhum tipo de relacionamento com a Precisa e estamos aguardando que sejam devidamente apuradas todas as graves denúncias expostas na CPI”, afirma a diretoria da ABCVAC, em nota.

Ao Estadão, a Precisa disse que o acordo com a ABCVAC “trata-se de uma relação privada, sempre condicionada à aprovação da Anvisa e das disposições legais”.

O acordo entre a Precisa e o Ministério da Saúde está sendo investigado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid por suspeita de favorecimento da vacina indiana e tentativa de propina. Por recomendação da CGU (Controladoria-Geral da União), o governo decidiu suspender o contrato nesta 3ª feira.

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