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Foto - Reprodução

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Seca agrícola, também conhecida como “seca verde”, acontece quando as chuvas são mal distribuídas em tempo e espaço, atingindo a produção agrícola antes mesmo do nível dos reservatórios entrarem em colapso. Muitas ações para enfrentar o problema dependem de crédito, de milho na Conab e outras resoluções do governo

O Governo do Estado prepara um plano de enfrentamento de uma seca verde no Rio Grande do Norte, já para o segundo semestre.

Ele vai desde perfurações de poços a ações juntos aos agentes financeiros para obtenção de crédito ao produtor até gestões para garantir milho nos armazéns da Conab.

A seca agrícola, também conhecida como “seca verde”, acontece quando as chuvas são mal distribuídas em tempo e espaço, atingindo a produção agrícola antes mesmo do nível dos reservatórios entrarem em colapso.

O secretário estadual de Agricultura, Guilherme Saldanha, afirmou, nesta segunda-feira, 31, que a crise hídrica já enfrentada no Sudeste e Centro Oeste e que vem sendo definida como a pior dos últimos 90 anos, ainda não atinge com o mesmo rigor os reservatórios do RN. Mas a seca verde, sim.

“Há regiões, como a do Trairi, em que não chegou a chover 200 mm e outras que não receberam 350 mm desde o começo do ano”, lembrou o secretário.

Acrescentou que muitas ações para combater a seca verde no RN vão depender de crédito, de milho na Conab e outras resoluções do governo federal.

“O governo estadual, nesse caso, prepara ações que dêem suporte para que os produtores possam passar por esse momento difícil”, afirmou.

Para ele, a questão da emergência hídrica, que diz mais respeito ao Sudeste e Centro Oeste, “é uma preocupação equivalente à da seca verde para nós, até porque os índices pluviométricos no RN foram muito abaixo daquilo que estávamos esperando”.

O presidente da Federação da Agricultura do RN, José Vieira, recomendou nesta segunda-feira que os produtores que puderem encher seus silos o façam porque a “a situação no segundo semestre será bastante difícil”.

Ele lembrou que os custos de produção subiram muito e o preço do leite para o produtor está baixo, e isso exigirá cautela redobrada do produtor durante o verão.

“Para piorar as coisas, as dificuldades recorrentes de acesso ao crédito é outra pedra no sapato do produtor”, afirmou.

Crise hídrica

A última posição fornecida pelo Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn), que monitora 47 reservatórios do estado, com capacidades superiores a cinco milhões de metros cúbicos, indica que a crise hídrica presente em outras regiões do País ainda não chegou por aqui.

Segundo o relatório divulgado no último dia 17 de maio, as reservas hídricas estaduais estavam em 50,92% do seu volume total.

A barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do RN, acumulava até aquele dia o equivalente a 60,08% da sua capacidade total. Já a barragem Santa Cruz do Apodi, segundo maior reservatório do estado, acumulava 42,81% da sua capacidade total.

A barragem Umari, em Upanema, acumulava 73,61% da sua capacidade total, enquanto a barragem de Pau dos Ferros virou o mês passado com 55,52% da sua capacidade.

Situações bem opostas puderam ser vistas em dois reservatórios: enquanto em Bonito II, em São Miguel, havia 24,42% da capacidade total no dia 17 de maio, no reservatório Rodeador, em Umarizal, tinha ainda 98,05% de sua capacidade preservada.

Até essa data, seis reservatórios, com mais de cinco milhões de metros cúbicos, monitorados pelo Igarn, continuavam com quase 100% da sua capacidade: o açude de Encanto, o açude de Marcelino Vieira, o açude Riacho da Cruz II, Santana, localizado em Rafael Fernandes, Passagem, localizado em Rodolfo Fernandes e Flechas, localizado em José da Penha.

Crise nacional

O governo federal deve emitir em breve um alerta de emergência hídrica para o período de junho a setembro em cinco Estados brasileiros – Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

Todos estão localizados na bacia do Rio Paraná, onde se concentra parte da produção agropecuária e grande hidrelétricas. Na região, a situação é classificada como “severa” e a previsão é de pouco volume de chuvas para o período.

É o primeiro alerta dessa natureza em 111 anos de serviços meteorológicos do País. A medida corrobora as declarações do presidente Jair Bolsonaro e do ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, de que o Brasil enfrenta a maior crise hídrica dos últimos tempos.

De acordo com o Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), o déficit de precipitação na bacia do Paraná está provavelmente relacionado à influência de dois fenômenos atmosféricos de grande escala. O primeiro é La Niña, de outubro de 2020 a março de 2021.

Esse fenômeno traz resfriamento das águas do Oceano Pacífico, diminui a temperatura da superfície do mar, altera o padrão de circulação global e, entre as características do período, reduziu chuvas no sul do Brasil.

O segundo fenômeno é a Oscilação Antártica (OA), responsável por alterar o padrão de pressão atmosférica na região. Desde outubro de 2020 a OA tem atuado para impedir que sistemas causadores de chuvas se desloquem sobre as regiões continentais da América do Sul.

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1 Comment

  1. Era muito bom se essa assistência chegasse aos agricultores que realmente precisa

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