Centros Covid-19 ficam sem médicos pelo 2º dia seguido em Natal e população não consegue atendimento

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Centros Covid-19 ficam sem médicos pelo 2º dia seguido em Natal e população não consegue atendimento

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Pessoas com sintomas do coronavírus que procuraram os Centros Covid-19 montados pela prefeitura de Natal continuaram sem conseguir atendimento nesta terça-feira (4) pelo segundo dia consecutivo. O motivo é a falta de médicos. No Palácio dos Esportes, não havia nenhum profissional pela manhã.

Já no Centro Municipal de Referência em Educação (Cemure), onde funciona um dos postos, dos três médicos que deveriam atender no turno, havia apenas um, que limitou atendimento a 25 pessoas. Só conseguiu atendimento quem já chegou com a requisição para o teste Covid.

Na segunda-feira (3), a população ficou sem atendimento no Centro Covid montado no Ginásio Nélio Dias, na Zona Norte da capital. No dia, a Secretaria Municipal informou que entrou em contato com a Cooperativa Médica do Rio Grande do Norte (Coopmed), que presta o serviço, e que o atendimento seria normalizado ainda na tarde de segunda (3).

Procurada novamente nesta terça-feira (4), a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que a cooperativa ainda está trabalhando para resolver o problema.

O G1 também procurou a cooperativa, que declarou que está procurando profissionais para normalizar a escala até esta quarta-feira (5). De acordo com a entidade, há uma escassez de profissionais para atendimento por vários motivos.

Porém, o principal deles é a paralisação de um grupo de profissionais após o município reduzir o valor pago pela hora trabalhada nos centros. Segundo o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte, 30 médicos entraram em estado de greve por não aceitarem os novos valores acordados entre o município e a cooperativa e paralisaram os atendimento no sábado passado, 1º de maio.

Justiça

Desde julho de 2020, os médicos recebiam o equivalente a R$ 250 por hora trabalhada, o que representava R$ 1 mil por turno de quatro horas. Porém, segundo o município, o valor era muito maior que pago, por exemplo, a um médico que atua na sala vermelha de uma Unidade de Pronto-Atendimento, que é de maior urgência. O novo valor acordado foi de R$ 133,33 por hora de trabalho.

O sindicato entrou na Justiça contra a redução do valor, mas o juiz Airton Pinheiro, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Natal, negou o pedido de tutela de urgência nesta segunda-feira (3). Para o magistrado, “não há que se falar em irredutibilidade de vencimentos, posto que se trata de uma relação contratual (e não é contrato de trabalho) celebrada entre duas pessoas jurídicas”.

Por outro lado, o juiz considerou que os profissionais que não concordarem com o valor não são obrigados a trabalhar nos centros.

“Os médicos que não estejam satisfeitos com os novos valores pactuados não são obrigados a aceitar o convite da cooperativa para participar da escala, posto que nesta modalidade de organização de trabalho não há compulsoriedade, mas apenas mera liberalidade em aceitar ou não o convite”, afirmou.

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