Na CPI, Diretor do Butantan afirma que Ministério da Saúde ignorou ofertas de vacinas

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Na CPI, Diretor do Butantan afirma que Ministério da Saúde ignorou ofertas de vacinas

Presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas - Foto

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Requerimento de convocação do Diretor do Butantan foi aprovado pelos senadores nesta quarta-feira, ele será questionado sobre as dificuldades que o instituto enfrenta para produzir a Coronavac e sobre as negociações com o Ministério da Saúde, em 2020

A CPI da Covid ouve nesta quinta-feira o diretor do Instituto Butantan, o médico Dimas Covas. O requerimento de convocação, assinado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), foi aprovado em sessão de ontem. No início da sessao, Covas afirmou que a vacinação poderia ter iniciado antes do que começou.

— Poderíamos ter iniciado a vacinação antes do que começou? Já tínhamos as doses, já estavam disponíveis. E eu, muitas vezes, declarei em público que poderíamos ser o primeiro país a começar a vacinação — disse Dimas.

Em sua fala inicial, Dimas Covas destacou que o Butantan é hoje o maior fornecedor de vacinas no Brasil, tendo apenas um cliente, o Ministério da Saúde, e relembrou o papel da instituição no combate a outras doenças, como gripe espanhola, meningite, gripe suína, poliomielite, zika e chikungunya. Ele destacou que já no começo da pandemia procurou potenciais parceiros para produzir vacina contra a Covid-19, e a mais desenvolvida era do laboratório chinês Sinovac, que já tinha um produto para outro coronavírus, tendo sido capaz de adaptá-la rapidamente para a nova doença.

Ele voltou a citar a oferta de vacina que fez ao Ministério da Saúde em julho do ano passado que não foi respondida inicialmente: 60 milhões de doses para serem entregues no último trimestre do ano passado. No mês seguinte, solicitaram verbas do Ministério da Saúde para o estudo clínico e para reformar uma fábrica, o que foi negado. Só em outubro houve uma “sinalização positiva para que a vacina fosse incorporada”, e o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello anunciou a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac. Mas logo depois o presidente Jair Bolsonaro o desautorizou.

— Óbvio que isso causa uma frustração da nossa parte. Voltamos ao Butantan e continuamos o projeto. Mas aí já com algumas dificuldades. A inexistência de um contrato com o ministério, que é nosso único cliente, colocava uma incerteza em termos de financiamento. E já tínhamos contratado com a Sinovac uma parte importante do projeto — disse Dimas.

Covas deve ser questionado ainda sobre a negociação da CoronaVac com o governo federal, alvo de contradições entre integrantes do governo que já prestaram depoimento, e os atuais entraves no recebimento de insumos para a produção de doses do imunizante.

O depoimento do ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco, que estava previsto para quinta, deverá ocorrer somente em junho, assim como o do secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo.

Coronavac

Em 21 outubro do ano passado, o presidente da República Jair Bolsonaro disse que mandou cancelar o protocolo de intenções de compra de 46 milhões de doses da vacina CoronaVac, anunciado no dia anterior pelo então ministro Eduardo Pazuello em uma reunião com governadores. No dia seguinte, Pazuello apareceu ao lado de Bolsonaro em uma transmissão ao vivo e disse que “um manda e o outro obedece”.

Em depoimento à CPI, Pazuello afirmou, no entanto, que o presidente nunca havia interferido na compra da Coronavac.

“Nunca o presidente da República me mandou desfazer qualquer contrato, qualquer acordo com o Butantan, em nenhuma vez. Eu gostaria de colocar aqui uma coisa aqui diretamente, ou por documento ou por qualquer um”, disse o ex-ministro.

Dimas Covas rebateu a afirmação de Pazuello, de que não teria havido intervenção do presidente Jair Bolsonaro. Segundo o diretor, o contrato para compra do imunizante levou mais de seis meses para ser assinado.

“É Pazuello quem tem que responder”, disse Dimas Covas, durante entrevista coletiva em São Paulo. “Nós tivemos dificuldade na assinatura do contrato. Esse contrato foi assinado no dia 7 de janeiro deste ano, sendo que a primeira proposta foi em julho do ano passado. Então, é só fazer as contas e nós temos aí um pouco mais de seis meses, um contrato que não foi assinado, embora tenha sido proposto no meio do ano passado.”

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