Produção de alhos nobres ganha impulso na região serrana do Alto Oeste potiguar

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Produção de alhos nobres ganha impulso na região serrana do Alto Oeste potiguar

Onze produtores são os precursores da plantação - Foto

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Iniciativa desenvolvida pelo Sebrae, Embrapa, prefeitura e Ufersa, está dando suporte técnico a um grupo de agricultores, que inseriram essa nova cultura na região. A produção neste ano já chega a 27,5 toneladas

As cidades de São Miguel e Portalegre, localizadas na região serrana do Alto Oeste Potiguar, são responsáveis por introduzir o cultivo de alhos nobres no Rio Grande do Norte. Onze produtores são os precursores da plantação de variedades de aliáceas, família da qual também fazem parte a cebola, alho-poró e cebolinha. Graças a um projeto, que vem sendo desenvolvido desde 2018 pelo Sebrae no Rio Grande do Norte, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa/Hortaliças, Prefeitura de Portalegre e Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), a produção de alho roxo nessas serras já atinge as 27,5 toneladas por ano. A parceria também está dando condições para o processamento das espécies para o plantio e beneficiamento do produto.

Nesta quinta-feira 24, os diretores do Sebrae-RN José Ferreira de Melo Neto (superintendente) e Marcelo Toscano (de Operações) foram conhecer de perto essa experiência, que já apresenta êxitos. Os executivos, juntamente com equipes técnicas do Escritório Regional do Sebrae no Alto Oeste, visitaram o prefeito de Portalegre, José Augusto de Freitas Rêgo e propriedades nas duas cidades para conhecer o trabalho que vem sendo executado. Pela parceria, o Sebrae oferece todo o suporte na área de gestão e articulação para abrir acesso a mercados para escoar produção. “O mérito desse projeto é inserir o cultivo de alhos no Rio Grande do Norte e criar alternativas de diversificação de culturas para gerar renda para pequenos agricultores”, ressalta o diretor superintendente, José Ferreira de Melo Neto.

O estado até então não tinha tradição no plantio de alho, cuja produção nacional fica basicamente concentrada nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul Minas Gerais e Goiás, que respondem por 90% do abastecimento do país. Por isso, tudo o que é produzido por esses agricultores potiguares é completamente absorvido no mercado potiguar e regional.

Nesta semana, o projeto recebeu equipamentos via emenda parlamentar para fortalecer a cadeia produtiva de alho. Os produtores receberam um debulhador, um descascador, um classificador de alho comercial e um liquidificador industrial. A doação dos equipamentos foi feita à prefeitura local e visa aprimorar o plantio e, principalmente, a comercialização do alho produzido na região.

Início da parceria

O Rio Grande do Norte já atingiu o apogeu no cultivo de alho nas décadas de 70 e 80, principalmente na região de Mossoró. Mas a cultura entrou em declínio e a busca pela revitalização da cadeia foi um dos desafios de pesquisadores da Ufersa, que vinham testando variedades mais adaptadas ao clima local e as regiões mais propícias. As primeiras análises da viabilidade ocorreram ainda em 2015, quando pesquisadores da universidade fizeram os primeiros plantios experimentais na região e confirmaram a possibilidade do cultivo em algumas áreas da serra, cujas altitudes chegam até 800 metros acima do nível do mar. O trabalho está sendo coordenado pelo professor do Departamento de Ciências Agronômicas e Florestais da Universidade Federal Rural do Semiárido, Leilson Costa Granjeiro, que já fazia parte da equipe da professora aposentada, Maria Zuleide de Negreiros, também do Centro de Ciências Agrárias da Ufersa.

A hortaliça está sendo cultivada nos sítios Tibau, Jenipapeiro, Encruzilhada e Santo Antônio, além de uma área da Associação dos Produtores Rurais de Portalegre (APRUP), que mantém um telado (espécie de estufa) para cultivo das sementes que servem para a safra seguinte. Para se ter uma ideia do potencial da região, somente entre 2018 e 2019, foram produzidas e comercializadas aproximadamente 30 toneladas de alho.

As espécies plantadas, mais resistentes a vírus, são o alho nobre – que se diferencia por ter um sabor incorpado, gourmet e, por isso, bastante apreciado por chefs de cozinha e proprietários de restaurantes – e o alho cateto roxo, que é precoce e destinado principalmente às indústrias de beneficiamento de temperos e também ao consumidor final. Essas variedades são comercializadas em média por R$ 20,00 cada quilo, valor que é mais elevado que o alho comum, importado da China.

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