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5G vai melhorar eficiência nos setores da fruticultura e de energias renováveis, afirma CEO da Nokia

Por AdrianoSantos
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A multinacional, que é uma das maiores fornecedoras de equipamentos para telecomunicações do mundo, estima que a aplicação do 5G vai elevar em US$ 1,2 trilhão o PIB do Brasil pelos próximos 15 anos.

O CEO da Nokia no Brasil, Ailton Santos, avalia que o sistema 5G vai revolucionar os setores de energias renováveis e da fruticultura no Rio Grande do Norte. O novo sistema, previsto para começar a ser instalado em 2022, vai garantir maior eficiência, redução de desperdícios e permitir a celeridade da operações.

O executivo-chefe da companhia finlandesa no Brasil diz que a marca está pronta para atender a demanda estrutural do 5G. O planejamento da marca segue a demanda do mercado e também as obrigações impostas pelo leilão do 5G, organizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em novembro passado, fechado com o valor total de R$ 46,79 bilhões. Entre as regras, está a obrigação de todas as capitais operarem com o novo sistema ainda no primeiro semestre de 2022.

Ailton Santos esteve em Natal nesta quinta-feira (16) para o primeiro teste da tecnologia 5G em Natal (RN). A Nokia é uma das líderes no mercado de equipamentos e antenas para transmissão em todo o País. Ele participou do evento ao lado do ministro das Comunicações, Fábio Faria, e de representantes da empresa Brisanet, que venceu o leilão pela faixa 3,5 GHz para a região Nordeste. A empresa pagará R$ 1,2 bilhão pelo bloco regional.

O Ceo da Nokia explica que o 5G traz uma arquitetura de antenas inteligentes. Há possibilidade de comportar muito mais recursos do que as gerações anteriores. “A Nokia está preparada para atender aos clientes do Brasil. Estamos prontos para o Brasil. Temos a tecnologia mais avançada para este sistema”, disse ele, em entrevista para a Tribuna do Norte.

Ainda segundo Ailton Santos, o novo sistema deve garantir ganhos de eficiência operacional. A perspectiva é de que a tecnologia deve aumentar receitas e revolucionar modelos de negócios. Segundo um estudo da Nokia, produzido em 2020, o uso de casos aplicados do 5G deve aumentar o PIB do Brasil em US$ 1,2 trilhão. “Isso já equivale a 1% do PIB brasileiro. Se expandir isso para o ecossistema do 5G, este valor passa dos US$ 3 trilhões”, detalhou.

Além disso, o 5G também deverá gerar novos postos de trabalho e revolucionar as relações de emprego no Brasil. A demanda por tecnologia não vai demandar apenas funções que atuem no desenvolvimento tecnológico, como é o caso de criadores softwares ou desenvolvedores de redes de internet, mas também vai gerar a criação de trabalhadores que atuem na operação e manutenção de equipamentos.

“O 5G, como vai atender as indústrias, não será utilizado para o segmento de tecnologia, mas será ampliado para outras atividades. Os médicos, por exemplo, terão capacidade de executar cirurgias à distância. Os profissionais do direito terão de coexistir com os softwares de inteligência artificial capazes de fazer leituras de contratos e avaliações de casos de uma forma mais eficiente. O desenvolvimento humano não será apenas para produzir a tecnologia, mas também como aplicar esta tecnologia. Aí, serão abertas vagas de trabalho em diversos níveis de ensino. Não será algo apenas para o ensino superior, também vai demandar do ensino técnico”, ressaltou. 

“O 5G traz novas aplicações para o agronegócio”, diz Ailton dos Santos Como está a negociação com as empresas vencedoras dos leilões do 5G para operação do sistema no Brasil? E como está a negociação com a empresa Brisanet, que será a responsável por implantar a rede na região Nordeste?

A Nokia tem 275 contratos e 66 redes de 5G em operação em todo o mundo. A Nokia está preparada para atender aos clientes do Brasil. Estamos prontos para o Brasil. Temos a tecnologia mais avançada para este sistema, que é o 5G standalone (a versão “pura” na transmissão e sem a necessidade de suporte de outras redes, como a do 4G, por exemplo). E estamos conversando com os clientes. Aqui no país, falando na operação do 5G, as operadoras ganharam as licenças e, com isso, segundo as regras da Anatel, as capitais brasileiras precisam estar com o sistema funcionando até o meio do próximo ano. Estamos no meio de uma discussão sobre a frequência do 3,5 GhZ (Faixa mais usada no mundo para o 5G, que vai atender o consumidor final e a indústria), que ainda precisa passar pela limpeza do espectro, para não haver conflitos na transmissão. Então, cada empresa vai ter sua estratégia comercial e vai ter também as obrigações do leilão. Como cada empresa cliente da Nokia vai definir onde atacar na estratégia comercial, nós não vamos interferir. Isso é uma informação sensível de cada cliente. Mas estamos ainda em discussão com a Brisanet. Mas prefiro ainda não comentar as discussões comerciais.

A Nokia tem mais de 12 mil antenas do atual sistema 4G espalhadas pelo País. Essa estrutura pode ser adequada para a nova frequência?

Das 12 mil antenas do 4G, todas elas podem ser automaticamente transformadas em 5G apenas com a mudança no software. Não precisamos trocar qualquer equipamento. Essa é uma vantagem nossa. Podemos fazer esta alteração com facilidade. 

O Rio Grande do Norte é um dos líderes do setor de energias renováveis e de fruticultura irrigada. Como o 5G pode ajudar nas redes privativas das empresas que compõem esses segmentos?

Eu acho muito importante o uso da tecnologia para o setor de energias renováveis. A questão energética e a sustentabilidade irão se cruzar com o uso do 5G. A nova frequência vai ampliar a nossa capacidade de fazer ações complexas de forma mais flexível. Através de pequenos pontos de conectividade integrados entre si. Hoje, a energia sustentável tem dois desafios: o primeiro é fazer a conexão entre a oferta e demanda, para conseguir maior eficiência e conservar energia, evitando desperdícios. O segundo desafio é que cada vez mais aparecem sistemas de geração de energias sustentáveis em pequenas propriedades. Com o 5G, o grid (rede) dessa produção de energia terá uma melhoria na interligação entre si. O Rio Grande do Norte, com a vocação da produção eólica, poderá caminhar para um grid mais eficiente. Já o cultivo e produção de frutas, algo muito delicado, também terá ganhos produtivos. Há, por exemplo, a questão da cadeia fria, que necessita de maior atenção do produtor. Neste caso, o 5G traz novas aplicações para o agronegócio, como a agricultura de precisão, mas agrega muito para o transporte de cargas, pois os veículos terão ganho de inteligência, para melhorar a eficiência logística, como também é o caso de rotas inteligentes e o controle das cargas. O produtor poderá monitorar a qualidade o tempo inteiro. Da mesma forma que as pessoas vão utilizar mais “wearables” (os smartwatc  hes e smartbands, dispositivos que monitoram, por exemplo, a saúde do usuário), as empresas estarão cada vez mais conectadas, a partir da internet das coisas, pois o 5G elevará as possibilidades. Para você ter uma ideia, o 4G tem capacidade de atingir até 10 mil sensores por quilômetro quadrado, já o 5G pode chegar a 1 milhão de sensores por quilômetro quadrado. A nova economia terá o uso maximizado de sensores, que estarão em todos os lugares, e serão utilizados para se conectar entre si e gerar eficiência.

Confira íntegra da entrevista:

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